julho 04, 2004
Adeus Sophia!
Posted at 4:30 in Must read....
E eu caminhei no hospital
Onde o branco é desolado e sujo
Onde o branco é a cor que fica onde não há cor
E onde a luz é cinza
E eu caminhei nas praias e nos campos
O azul do mar e o roxo da distância
Enrolei-os em redor do meu pescoço
Caminhei na praia quase livre como um deus
Não perguntei por ti à pedra meu Senhor
Nem me lembrei de ti bebendo o vento
O vento era vento e a pedra pedra
E isso inteiramente me bastava
E nos espaços da manhã marinha
Quase livre como um deus eu caminhava
E todo o dia vivi como uma cega
Porém no hospital eu vi o rosto
Que não é pinheiral nem é rochedo
E vi a luz como cinza na parde
E vi a dor absurda e desmedida
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra poética II
1919-2004
This discussion has now closed. Thanks to all who participated.
Resta-nos ler as suas palavras, as suas obras e em vez de um Adeus, um Até Já!